Grupo exige que Eliomar Coelho, do PSOL, presida CPI dos Ônibus. Escolhido para a função, Chiquinho Brazão é do PMDB, partido do prefeito
Dezenas de manifestantes ocupam desde a manhã desta sexta-feira o plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. O grupo invadiu o local depois que foi escolhido para presidir a CPI dos ônibus um vereador da base do prefeito Eduardo Paes - o líder da comissão, apresentado esta manhã, será Chiquinho Brazão, do PMDB. Na noite de quinta-feira, o local já havia sido invadido, com a divulgação de uma carta de reivindicações em que o principal pleito era a indicação de Eliomar Coelho (PSOL) para comandar os trabalhos da CPI. Ele é o autor do requerimento, mas foi atropelado pela maioria, controlada pelo governo.

Manifestantes entregaram pauta de reivindicações à Câmara
Além de Brazão, outro vereador da base aliada de Paes ocupa uma posição-chave na CPI: Professor Uóston, também do PMDB, será o relator. Coelho é integrante da comissão - que ainda é composta por Renato Moura (PTC) e Jorginho do SOS (PMDB) -, mas já considera abandonar os trabalhos. Ao site de VEJA, ainda em meio à confusão, o vereador do PSOL disse que deve se reunir com correligionários na próxima segunda para definir seu futuro na CPI. Ele é o único dos cinco integrantes que assinou a favor da criação do processo.
"A CPI é uma resposta ao principal pedido das manifestações no Rio: investigar a promíscua relação entre o governo municipal e as empresas de ônibus. A composição da presidência e da relatoria dá direito às pessoas a deter dúvidas quanto à conclusão final desta comissão. O que não pode é o grito das ruas acabar em pizza. E eu não vou ser recheio desta pizza", declarou Coelho, que, por ser o mais antigo na Casa, foi quem abriu os trabalhos do dia, por volta das 9h30, quando teve início o tumulto.
Em seu perfil no Facebook, o vereador Renato Cinco (PSOL) também lembrou que os outros parlamentares escolhidos para ficar à frente da comissão eram contra o processo inicialmente. "Um deles (Chiquinho Brazão) disse que o cartel das empresas é uma questão 'periférica' e o vereador Professor Uóston afirmou que a CPI tem pouca coisa para investigar", escreveu.
Encurralados - Uma parte do grupo que ocupava o plenário se deslocou para o 2º andar do prédio, onde fica o presidente da Casa, Jorge Felippe, também do PMDB. Por cerca de quatro horas, ele permaneceu trancado dentro de seu gabinete ao lado de Brazão, Uóston, Jorginho do SOS e outros dois vereadores: Paulo Messina (PV) e Alexandre Isquierdo (PMDB). A cada momento que a porta se abria, ouviam-se gritos de "Brazão, ladrão".
Uma comissão de estudantes chegou a ser recebida por eles, mas saiu sem falar com a imprensa. Por volta das 14h, e com a ajuda de seguranças que tentavam controlar a situação, os parlamentares conseguiram deixar a sala por uma porta secundária, e foram embora sem serem vistos. Mais cedo, o foco era o gabinete de Brazão, que disse que não vai deixar a liderança da comissão. Manifestantes gritaram palavras de ordem e picharam as paredes da sala.
Pouco depois das 15h30, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que acompanha a situação na Câmara, fez contato com o comandante-geral da Polícia Militar, José Luíz Castro Menezes, informando que a negociação não estava evoluindo. O coronel, então, decidiu enviar para o local policiais que têm atuado nas manifestações, entre eles um oficial especializado em negociação. Veja



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